sábado, 3 de agosto de 2013

Sorria Victor! O show não pode parar.




Chovia la fora, Marta ,ou Cristina ,ou Ana,  ou Isabella, o segurava pelos ombros, com os seios roçando em suas costas e sussurrando em seu ouvido para que ele ficasse mais, Ele balança a cabeça negativamente, e levantava da cama, catando pelo chão a cueca e as calças, Ela deita na cama de bruços e fica vendo ele se vestir, pedindo para que ele passasse a noite ali, que estava frio, que dormiriam juntinhos, ele ria com cantos dos lábios era meio que, uma piada, ele nunca , nunca dormia com essas mulheres, nunca dormia com mulher nenhuma,trepava com elas e ia embora, eram sempre diferentes , de forma que nem ao menos lembrava dos nomes, dava sempre um telefone errado, um nome falso, as vezes ficava tanto tempo trocando de nome que tinha de parar um pouco e pensar qual era do seu; Passou a camisa por dentro da calça, vestiu a casaco e foi indo para porta, ela gritou : 

- Julian você podia me dá um beijo? Posso te ligar amanhã? O que é tão urgente para você sair assim?

Ele deu um sorrisinho meio sínico e disse:

- Você sabe meu bem, trabalho, trabalho e claro minha família, amanhã eu te ligo.

Bateu a porta e desceu correndo as escadas do prédio, deixando a Marta, ou Cristina, ou Ana, ou o que for nua e sozinha na cama, imaginando se Julian iria ligar.

No saguão do pequeno prédio de seis andares viu o mundo se desfazendo em água la fora, não hesitou nem por um segundo, subiu a gola do casaco
Meteu as mãos nos bolsos, e saiu caminhando pela chuva, com a água indo la pelas canelas, molhando seus sapatos ; seus cabelos finos e lisos,
Estavam escorridos, grudados na face pálida, sentia frio, e é claro que estava triste, vazio, mas não notava nada daquilo, era um dia como outro qualquer, Só que chovia, nenhum sentimento que tinha contido dentro de si, era diferente de como sentiu a vida toda, dês menino. Foi caminhando pela rua sem pensar em nada, Nem trabalho, nem dinheiro, nem sexo, era só a rua, a chuva e ele deslizando lentamente ate o ponto de taxi. Chegou ao ponto, e pegou o primeiro taxi que viu, disse para onde iria, no carro tocava aquelas musicas Cubanas tristes, trilha sonora perfeita para aqueles seriados policias cheios de romance, que eram ambientados em Miami Beach, ficou escutando a musica e olhando as luzes coloridas do centro da cidade, alheio ate a si mesmo, nem notou que o taxista havia pegado o caminho mais longo, que pagaria quase o dobro, não ligava.

Desceu do Taxi e entrou no prédio, havia parado de chover, no elevador encontrou uma velha que vivia reclamando, das Garrafas de cerveja que ele deixava no lixo do corredor, ambos se ignoraram por completo. Fazia uns dias que não ia em casa, certamente o velho canário vermelho, tinha enfim morrido, pegou as correspondências no chão ao pé da porta e entrou no apartamento escuro, viu que lua havia aparecido no céu, grande e prata refletida no piso da sala de estar;não ascendeu uma única luz do apartamento, saiu se despindo no escuro, deixando para trás uns rastro de roupas molhadas, entrou nu debaixo do chuveiro quente, e se lavou meio freneticamente para tirar o cheiro da mulher que não lembrava o nome.

Se secou e foi para cozinha, tinha de enterrar o canário vermelho, ascendeu a luz e viu que contra todos os prognósticos o bicho ainda vivia, velho, quase sem penas, começou a fazer um barulho extremamente incomodo, como ele queria que o canário morresse , aquele bicho era uma farpa, era única coisa que lembrava sua mãe, nem o rosto da mãe ele lembrava, Lembrava apenas que quando ela foi embora, deixou o canário vermelho, e que quando o canário que ela deixou morreu de velho, seu pai comprou outro, e deviam ter existido pelo menos uns 10 canários antes daquele, e todos se  chamam Farpa, agora ele estava meio feliz porque quando Farpa morresse seu pai não iria comprar outro; colocou comida e água para o canário deixando assim que farpa vivesse mais um pouco. Vestiu-se com sua roupa preferida, olhou o relógio e constatou que ainda dava tempo, pegou as chaves do carro e partiu.

A recepcionista perguntou o seu nome, ele parou um pouco, pensou e disse:

- Victor, Victor de Castro.

- Seu parentesco com nosso paciente e um documento que prove!

Disse a recepcionista, com um sorriso tão feliz que Victor ficou com raiva,se olhassem para  ele e para o pai na juventude achariam toda semelhança possível, pareceriam irmãos, pareciam irmãos ate um ano atrás quando seu pai envelheceu prematuramente por causa do câncer,  Não respondeu a pergunta da mulher, apenas mostrou a carteira de identidade, e foi furando o bloqueio da recepção, ela disse alguma coisa, e ele respondeu que sabia onde o pai estava; Sempre ficava com raiva, fazia um ano que ia naquele hospital todos dias varias vezes, ver o pai e ainda tinham coragem de lhe perguntar , quem ele era ou o que era do paciente.

Chegou ao quarto 402, estava escuro, as janelas estavam abertas e o céu estava coberto de estrelas, a luz da lua cobria como um véu, o corpo esquálido da um criatura viva que mais amava no mundo, chegou bem perto do leito, lembrando o distante dia de sua infância que seu pai lhe disse “Vic, a mamãe foi embora, e não volta mais , ela deixou a gente.” Victor olhou para o canário e perguntou se agora era dele, e o pai lhe respondeu “Tudo, tudo é seu!Sorria Victor, o show não pode parar” Por mais que tentasse lembrar do nome do primeiro canário não conseguia, e todas as vezes que perguntará ao pai ele não respondeu, dizia para  chama-lo como quisesse; Olhando o rosto envelhecido, seco pela quimioterapia, maltratado, lembrou de como o pai havia ficado rico, como havia trabalhado, como estava sempre sorrindo e como tinha mulheres.

Olhou em volta e viu uma foto, dele e do pai na cabeceira da cama, pareciam dois meninos, seu pai sempre fora bonito, depois que a sua mãe se foi ele aprendeu a não precisar dela, e nunca mais viu seu pai com mesma mulher por mais de um dia, queria ser igual a ele, não sabia se era o melhor, mas leu os mesmos livros, e comandava agora a empresa da mesma forma que o pai; Sempre começava a chorar quando pensava que estava tomando tudo do homem que mais amava, tomou o tempo, o dinheiro, o conhecimento, os livros, as casas, os apartamentos, as mulheres, a direção da empresa, e ainda havia quem dissesse nos corredores da empresa quando ele passava que o pai não estava morrendo, mas renascendo através dele.

A enfermeira entrou no quarto, dizendo “Perdão senhor Victor, mas o horário de visitas esta acabando” ele ficou surpreso que ela soubesse o seu nome, em vista que ali ninguém parecia saber de nada, ele fez que sim com a cabeça. E perguntou como pai havia passado o dia, ela disse :

-Sentiu um pouco de dor, mas falou do senhor o dia inteiro!

-O que ele falou?

- Que senhor, era muito inteligente e que lia muitos livros.

Victor sorriu e deu um beijo na cabeça do pai, e foi acompanhando a enfermeira ate a saída do hospital, sentia- se triste, esmagado como jamais se sentira na vida, sabia que não haveria ano pior que aquele, sabia que havia pouco tempo, mas fez exatamente o pai havia lhe ensinando, leu seus livros, cuidou do trabalho e teve suas mulheres.

Fazia sol la fora, Marta ,ou Cristina ,ou Ana,  ou Isabella estava sentada em seu colo, tentando com maior esforço fazer com seus seios lhe roçassem o queixo, para que ele não quisesse ir embora, Ele levantou ela devagar a colocando de lado, catando a cueca e as calças no chão, ela ficou vendo ele se vestir, pedindo que ele passasse a noite ali, ele ria com cantos dos lábios era meio que uma piada, ele nunca , nunca dormia com essas mulheres, nunca dormia com mulher nenhuma, trepava com elas e ia embora, eram sempre diferentes , de forma que nem ao menos lembrava dos nomes, dava sempre um telefone errado, um nome falso, as vezes ficava tanto tempo trocando de nome tinha de parar um pouco e pensar qual era o seu; Passou a camisa por dentro da calça, vestiu a casaco e foi indo para porta, ela disse alguma coisa, ele fingiu não escutar, entrou no carro e foi para casa.

Entrou no apartamento escuro e ascendeu às luzes, fazia um bom tempo que não havia canário, é claro que ele sentia triste, vazio e solitário, nenhum sentimento que tinha contido dentro de si, era diferente, se sentia como sentiu a vida toda, dês menino, era só mais um dia, como outro qualquer, e é claro que não era verdade, mas estava fazendo exatamente o seu pai o havia ensinado a fazer “Sorria Victor! O show não pode parar”.





 Juliana Cruz

sábado, 15 de junho de 2013

Borboletas

Esse texto é uma obra fictícia, qualquer semelhança com pessoas ou situações ocorridas, é mera coincidência. 

Uma vez li sobre um homem que se sentia pegando fogo por dentro, toda vez que via certa mulher, ele sentia como se os órgãos dele queimassem internamente, se retorciam, doíam, depois pareciam despencar, certa vez se falaram, em outra, fingiram que eram amigos e se aproximaram, e toda vida que se aproximavam ele sentia seu corpo queimar, às vezes era agoniante, mas o fogo que lhe consumia por dentro ficavam brando quando ele ouvia a voz dela, se aproximaram cada vez mais, enfim se afagaram; Daí eu não lembro o que aconteceu, me alegra pensar que pegaram fogo juntos durante muito tempo, para ser honesta, me alegra pensa que pegaram fogo eternamente, mesmo sabendo que isso é improvável.

Andei pensando no homem por causa das borboletas, certa tarde elas chegaram deixando em desordem primeiro meu estomago, depois o meu mundinho foi desandando, lembrei-me de você, porque a droga das borboletas apareceram pouco depois que nos sentamos lado a lado em um ônibus, E antes de fingir que éramos amigos, começou o tremor nas pernas, dançava freneticamente quando te via de longe, elas eu podia suportar, mas aquelas borboletas, não.

Nunca gostei muito de borboletas só das amarelas e pequenas, as outras eu era capaz de sair correndo se visse, mariposas ai meu deus, odeio mariposas, Mas la estava eu sentada do seu lado em um ônibus crepuscular, como borboletas frenéticas no estomago, pernas tremulas, mãos geladas, e sorriso meio doentio, Era certo que havia algo de errado, quando conversávamos bobagens as borboletas se acalmavam; Porem quando eu descia do ônibus e caminhavam ate em casa, saia sorrindo, com as borboletas deixando meu estomago em desordem.

No quinto dia desci no hospital, assim que o ônibus passou e eu já não te via mais na janela, começou o borboletear frenético, e os sorrisos bobos, entrei na emergência, entreguei o cartão do plano de saúde a recepcionista, e esperei a minha vez, eu devia estar extremamente doente, como devia. Entrei e sentei na cadeira e o medico me examinou dos pés a cabeça e disse “Aparentemente você não tem nada, vou passar uns exames.” Fiz os exames na hora, recebi o resultado no outro dia, e ele disse “Fisicamente você esta bem!”, Meu mal certamente era psicológico.

Passei uns dois dias sem te ver, sem se quer ouvi a sua voz, mas se eu pensava em você, ou se eu via o ônibus chegando mesmo sabendo que você não estava dentro o desconforto começava, Eu devia procurar um psiquiatra. Depois do terceiro dia você estava no ônibus e eu quase caio com o bambear de minhas pernas, quando te vi sentado la atrás onde sempre nos sentávamos; Sentei do teu lado e continuamos nosso dever de fingir que éramos amigos, Enquanto as borboletas acalmavam o voo e dançava no meu estomago bem devagar, quando você estava comigo, falando ou me ouvindo, o desconforto sumia.

Certo dia marcamos de sair, e la estava eu três horas antes do combinado, a beira da loucura, as borboletas triplicaram, troquei de roupa umas cem vezes; e quando você chegou, eu ainda me sentia com a roupa errada, pelo menos o borboletear acalmou, Passeamos, fingimos ser amigos, e por fim nos entregamos, não era amigos, nunca fomos, nem seriamos, e as borboletas dançaram calmas por um bom tempo, sempre que estávamos juntos, e eu ate desconsiderei o psiquiatra.

Depois de algum tempo ate passei achar as borboletas bonitas, todas elas, também já não me achava doente, mas ai eu não entendi, e se não entendi não sei explicar muito bem, as coisas ficaram estranhas, ficaram tristes e contras todos os prognósticos eu disse “Adeus” antes que você fizesse isso, o seu adeus estava implícito nos seus silêncios demorados, e no desdém com o qual você passou a me presentear; Nos afastamos.

Fiquei com as borboletas, certa noite sonhei que eram mariposas, acordei aos prantos, eu tinha borboletas no estomago, tremores nas pernas, e um amontoado de lembranças, fotos, presentes, musicas, textos, livros, o ônibus, o quarto, os peixes no aquário, tudo lembrava alguma coisa sobre nos, ate o que não devia lembrar nada; Também havia uma coisa nova, Saudade, e tinha vezes que saudade era tanta que eu me encolhia na cama como um feto e chorava ate dormir.


Voltei a pensar que estava doente, e voltei a pensar no psiquiatra, foi ai que achei o texto sobre o homem que pegava fogo por dentro quando via certa mulher, no final eles também se afastaram, e depois de um tempo o fogo que o incendiava por dentro foi apagando, ate que um dia acendeu novamente por outra pessoa, e no final do texto ele dizia “Enquanto houver sentimento em mim, vou me sentir incendiar.” Foi ai que me dei conta que não nunca ia me livrar das borboletas, só faria elas voarem frenéticas ou dançarem calmamente por outra pessoa, e isso me parecia justo, E as borboletas podiam ate se transformar em mariposas, se essa saudade virasse poesia.

domingo, 5 de maio de 2013

Como um peixe num aquário


Às vezes fico meio confuso em relação às pessoas, Ontem umas 10 pessoas me ligaram ou me enviaram mensagens perguntando se eu ia sair, E eu respondi a todas com “Ate então não” Daí todas responderam “ta”, E eu passei a noite de sábado em casa fingindo ser um grande escritor que tinha ideias demais, e bebia sozinho e fumava cigarros para por elas em ordem. Dormi cedo, bebi pouco, Ela não me ligou, nem ligaria eu não era nada alem do cara para o qual ela ligava quando estava entediada, a impressão que dava é que ela só me ligava quando ninguém mais a atendia. Isso me deixava péssimo, por que todas as coisas que eu  começava a escrever tinham um pouco da gente e a gente nem existia.

Era um daqueles domingos sem vergonhas que você acorda cedo e insone, e pela manhã esta quente demais para fazer qualquer coisa sem que sol de deixe torrado, fiquei em casa, esperando ela me ligar, ligou uma vez para me perguntar se eu tava bem, eu me sentia como os meus peixes, Não gosto muito deles, mas eu alimento eles todo dia, por que eles deixam meu apartamento mais vivo e bonitinho, era assim que ela fazia eu me sentir, e eu simplesmente não consegui mandar ela ao diabo, quando ela vinha para mim com aquele sorriso chato e usando minhas próprias palavras contra mim.

Quando o sol ficou menos intenso eram umas 3 da tarde e me dei conta que não havia feito nada alem de lavar e limpar a droga do apartamento, agora eu estava cansado e sentia sono, e por mais que eu quisesse sair e fazer alguma coisa, Era domingo, e alem de domingo cheirar a solidão e flores mortas, ninguém nunca queria fazer nada, ou já estava fazendo alguma coisa. Deitei e dormi ate umas 17h00min, podia ser um pouco menos um pouco mais, porem eu não gosto de horas que não sejam exatas, principalmente quando eu escrevo. Levantei e liguei para ela, perguntei se ela queria fazer alguma coisa, Ela disse que era domingo, desliguei.

Me espichei na cama de frente para janela, e vi que o céu estava escuro la para o lado da praia, ou seja, noite fria. Noites frias sempre são uma bosta, porque você se sente mais sozinho do que realmente é, Porem não ha nada mais triste do que um domingo frio e sozinho. Um escritor me disse uma vez que domingos cheiram a solidão e flores mortas, e eu nunca esqueci daquilo, De uma forma ou de outra não lembro o nome dele, Porque não lembro de ter perguntado, foi numa visita que eu fiz a alguns anos atrás a um Hospício, Nunca voltei la e se cruzasse com o velho hoje nem saberia quem é; Mas era domingo e ia chover, E   la estava eu espichado na cama pensando nela, Olhando os meus dois peixes betas cada qual em seu aquário.

Ascendi um cigarro e fiquei olhando aqueles dois únicos pontos de vida a minha volta o Branco, que eu decidi que era uma fêmea se chamava Gellhorn e o vermelho era o Hemingway, ambos estavam parados e cansados, deviam estar quase sem oxigênio por que eu não havia trocado a água deles, Pensei em deixa-los morrer, mas daí pensei que não seria legal se ela me deixasse morrer, Eu tinha que trocar a água deles, limpar o a aquário e mesmo que eles me odiassem por deixa-los quase sem ar, eles me amariam por eu trocar a droga da água, por que de certa forma eu era tudo que eles tinham.Depois de trocar a água dos peixes eu me senti menos mal, queria ligar para ela pra conversar bobagens, mas parte de mim dizia que eu não deveria fazer isso, a nuvem cinza sumiu do céu tão rápido quanto apareceu, e agora estava quente novamente e escurecia, seria uma noite seca, Porem era domingo, Domingos me deixavam triste dês que eu era criança, porque me avó me forçava a ir à missa, e tirando a pipoca do lado de fora da igreja não havia de bom nisso.

Passei mais umas duas horas espichado na cama, convencendo a mim mesmo a não me entregar aquele sentimento vago e vazio que me tomava o peito, no fundo tudo era mais ou menos culpa dela, e o fato dela não querer estar comigo o tempo todo, talvez eu fosse meio louco por querer isso, ou talvez eu fosse só um cara extramente sozinho, ou quem sabe domingos me deixassem assim. O telefone tocou, era um amigo me chamando para ir a uma festa, me vesti e fui para tal festa decidido a ter um domingo feliz, Cheguei a festa e conheci umas garotas que ficaram o tempo todo no meu pé;Disse a elas que eu tinha namorada, só que ela não sabia disso, e isso só fez elas ficarem mais ainda no meu pé, porque acharam aquilo bonitinho.

Quase meia-noite, mas ainda era domingo, ainda cheirava a solidão e a flores mortas, e eu queria ir para casa porque não suportava aquelas garotas com seus risinhos bobos, e mãos rápidas tentando me tentar; Dei tchau para todo mundo e sai para mais uma noite seca de domingo, Liguei para ela, caixa postal, Cheguei em casa me sentido doente, seco, cheio ao mesmo tempo, sozinho, e aquilo me incomodava,porem estava tudo no lugar, os copos vazios, as bitucas de cigarro, os peixes e eu , caso ela ligasse.



                                                                                                                                       Juliana Cruz

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O ceifador de Almas

Ele sempre gostou de acreditar que era um ajudante da morte, pois ele entregava as almas dos que matava nas mãos dela, entre um trabalho e outro voltava para o pequeno apartamento que ficava no centro da cidade de lugar nenhum, ele não tinha ninguém alem de um canário vermelho que parecia estar em chamas quando o sol que penetrava pela fresta da janela o iluminava. Ele nunca conheceu pessoalmente nenhum de seus clientes eles simplesmente ligavam diziam um nome, um endereço e depositava em sua conta bancaria certa quantia cuidadosamente definida pelo tipo de morte que ele iria dedicar ao inimigo, perguntava se o cliente queria que lhe dissesse alguma coisa, algum nome, perguntava se a vitima devia sofrer ou morrer logo e se era necessário que ele fizesse o serviço olhando nos olhos das pessoas ou usando uma mira a longa distância, perguntava que tipo de arma deveria usar se queria que a morte parecesse natural ou fosse brutal, perguntava se eles simplesmente não queriam que a pessoa sumisse, só então executava o trabalho de forma simples rápida e sem deixar provas,nenhuma digital, ele sempre fora especialista em crimes perfeitos.
Matar somente isso era o que ele sabia fazer, dês de menino fora preparado para o um único propósito, provinha de uma família de matadores, agora todos mortos ou sumidos pelo mundo, para evitar um passado perigoso, excerto o avô um excêntrico que o criou para seguir segundo este o legado da família, estudou a vida inteira em escolas militares, aos 15 foi para exercito por intermédio do avô que subornava uns e outros para alcançar sua metas, aos 17 matou pela primeira vez e quando fechou os olhos ao anoitecer não encontrou o rosto do homem que entregara a morte,era frio de mais para sentir pena de alguém,era rigoroso de mais consigo mesmo para se apaixonar,ou para permitir que alguém chegasse perto o bastante para isso,depois da primeira morte não voltara a vê o avô,mais seu telefone não parava de tocar,hoje ele tem 25 e para todo mundo é apenas o vizinho estranho e solitário que tem uma conta bancaria com quase 50 milhões de euros,ele já viajou o mundo foi ate mesmo ao vaticano,não por fé fora contratado para matar um bispo e o trabalho fora executado com sucesso,era sempre assim lugares distantes do pequena cidade que vivia,uma cidadezinha na qual permanecia anônimo.
A vida para ele era vazia, passava as tardes livres na biblioteca da cidade lendo livros de romance, eram seus preferidos e dizia a si mesmo não saber o porquê, mais no fundo suspeitava que fosse por não poder viver um de verdade seu trabalho exigia o Maximo de concentração e uma distração como um eventual namoro não cabia em seus planos.
As mulheres de sua vida usavam nomes falsos, ele nunca passava com elas mais que algumas horas,quando elas acordavam ele já não estava mais lá em seu lugar estavam cédulas perfeitamente dobradas sobre a cama,e ele estava a vagar por alguma rua vazia da pequena cidade, com as mãos nos bolsos do paletó e o vento a soprar nos cabelos negros, foi em uma dessas noites que nos esbarramos pela primeira vez naturalmente ele não me viu, quase ninguém vê, mais quando me deparei com aquele homem que por mais imponente que fosse parecia frágil no meio do vento quase coberto pela névoa eu ouso dizer que eu comecei inconscientemente a amá-lo e eu continuei a andar ao lado dele quase tentei tocá-lo,mais desisti tive medo que ele percebesse embora fosse pouco provável,só o observei dia após dia.
E aquela foi à primeira das muitas noites que velei seu sono, observei cada traço do rosto, do corpo e fui mais intima que qualquer mulher que tenha dormido com ele seria, ele tinha cabelos perfeitamente lisos e negros, a pele era branca, seus músculos eram proporcionais a sua estatura os olhos eram castanhos cor de bronze, e o coração infelizmente parecia ter parado em algum lugar num passado distante.
Eu?Você deve estar se fazendo essa pergunta, basta saber que o encontrei um ano depois de minha morte e que por mais que eu desejasse, ele não podia se quer sentir minha presença, mesmo quando eu inutilmente o tocava ou afagava seus cabelos ao velar seu sono nas horas que antecediam o amanhecer.
Mudei-me para o apartamento no outro dia mesmo, com o passar dos dias me acostumei com sua rotina, ia com ele a biblioteca, durante a noite pouco antes de adormecer eu sussurrava meu nome em seu ouvido na esperança que ele um dia sonhasse com ele ou lembrasse, e quando seus clientes ligavam eu costumava encostar o meu ouvido bem perto do dele para poder ouvir, inicialmente me faltou coragem para vê-lo trabalhar, pensei em deixá-lo mesmo sabendo que eu nem se que estava com ele,mais não fui embora algo me dizia que de alguma forma eu deveria estar ali,o que ira importar ele ser um matador? Ele não me via e não me ouvia, não faria a menor diferença eu não passava de um lugar vazio talvez tão vazio quando seu coração, por vezes tentei acompanhá-lo mais quando chegávamos ao aeroporto eu voltava e esperava pacientemente junto ao canário que ele votasse.
Bem eu meio que nem sei quanto tempo havia se passado quando se estar preso entre esse e o outro mundo o tempo é algo desprezível, em minha estadia na casa dele esquecera meu único objetivo, bem mais ele me fez vê novamente e por isso amo tanto aquele homem, fazia uma semana que ele estava em casa, nessa noite voltara de madrugada para casa, certamente estava com alguma dessas mulheres sem nome,quando chegou nos brigamos ou melhor eu briguei estava com ciúmes e se minhas veias ainda pulsassem eu morreria de raiva no mesmo instante,aquela não fora nosso primeira briga mais fora a ultima,a falsa vida me ajudava de alguma forma.
No amanhecer do dia seguinte ele recebeu uma ligação teria que viajar para Londres e matar cinco pessoas, arrumou as malas e dessa vez criei coragem, ou melhor, a coragem surgiu em mim como um sussurro e disse que eu deveria ir e parti com ele, foi um vôo tranqüilo e ao lado dele não sentara ninguém além de mim, desembarcamos e mesmo cliente ligou para dar os endereços disse de inicio quatro nomes e o ultimo disse não saber e deu apenas o endereço,nos hospedamos no hotel barato e durante a noite senti ele olhar para mim embora soubesse que não podia me ver,enquanto ele adormecia eu sussurrei algumas vezes meu nome.
Levou oito manhas para os primeiros quatro homens, um dia ele estudava o melhor horário e no outro dava um tiro com uma mira a longa distância era um trabalho rápido, o quinto homem ele teria que matar a facadas, esse eu não queria acompanhá-lo mais fui assim mesmo,era bem afastado da cidade era uma daquelas casas que tinha um jardim enorme em volta o tipo de lugar onde os vizinhos não podiam ouvir os outros brigando,entramos terreno adentro, o telefone toca e a ordem se modifica mate todos disse a voz, ele desliga e faz aceno positivo, no meio do caminho ouvimos passinho devagar e ao nos viramos dos deparamos com um menininho ele olha e diz:
-Quem é você?Ele aperta a o cabo da faca e o garoto diz:
-E a moça é sua namorada?Ele olha para mim por alguns segundos e entrega a alma do garotinho a morte, a faca foi cravada no coração e na garganta, o corpinho sem vida ficou ali posto no chão, tive vontade de matá-lo mais algo me dizia que a única coisa que restara de mim em vida dependia dele e eu estava certa,eu vomitaria se pudesse gritaria se me ouvissem, prossegui quase arrastada avistamos a casa havia uma mulher e uma menina eu conhecia a menininha era minha Lucy,é
eu tinha uma filhinha de quatro anos quando morri,tive ela aos 17 e fui expulsa de casa, depois de minha morte eu procurei em todos os abrigos infantis, e ali estava ela a uns metros de mim e a segundos da morte, puxei ele pelo braço ele não percebeu, me pus em sua frente ele rasgou meu corpo chegou a varanda matou a mulher e minha Lucy me viu e disse “mãe” intrigado ele olhou para o lado e meio bobo disse:
-Tem alguém do meu lado?
-Sim minha mãe que morreu!Ele ficou impotente olhado para o lado viu ela me tocar, eu a abracei e ele viu uma menininha abraçar o vazio, minha Lucy olhou para ele pegou suas mãos, ele deixou um pouco retraído ela pós as mãos dele na minha face gélida e transparente, acho que sentiu minha textura, ainda com as mãos em minha face avistou um homem sacou um revolver deu um tiro agora era a vez de minha Lucy, cai em desespero ele olhou para ela que deu o sorrisinho mais lindo do mundo,quando ele segurou a faca pelo cabo senti que se pudesse morreria de novo,mais ele simplesmente a guardou, tomou a mão de minha pequena filha e nos afastamos da casa ele pós ela no carro e fomos os três para o hotel,ao chegarmos Lucy havia adormecido,ele a colocou no colo e deitou seu corpinho na única cama do quarto a cobriu com um lençol,nesse momento senti uma luz muito forte tomar conta de mim e soube que eu deixara ali minha filha e meu novo ex namorado,ele segurava uma caneca de chocolate virou para o lado que eu estava e disse:
“Pode ir Ruby eu cuidarei dela para você”
Por: Juliana Cruz