Chovia
la fora, Marta ,ou Cristina ,ou Ana, ou
Isabella, o segurava pelos ombros, com os seios roçando em suas costas e
sussurrando em seu ouvido para que ele ficasse mais, Ele balança a cabeça
negativamente, e levantava da cama, catando pelo chão a cueca e as calças, Ela
deita na cama de bruços e fica vendo ele se vestir, pedindo para que ele
passasse a noite ali, que estava frio, que dormiriam juntinhos, ele ria com
cantos dos lábios era meio que, uma piada, ele nunca , nunca dormia com essas
mulheres, nunca dormia com mulher nenhuma,trepava com elas e ia embora, eram
sempre diferentes , de forma que nem ao menos lembrava dos nomes, dava sempre
um telefone errado, um nome falso, as vezes ficava tanto tempo trocando de nome
que tinha de parar um pouco e pensar qual era do seu; Passou a camisa por
dentro da calça, vestiu a casaco e foi indo para porta, ela gritou :
-
Julian você podia me dá um beijo? Posso te ligar amanhã? O que é tão urgente
para você sair assim?
Ele
deu um sorrisinho meio sínico e disse:
-
Você sabe meu bem, trabalho, trabalho e claro minha família, amanhã eu te ligo.
Bateu
a porta e desceu correndo as escadas do prédio, deixando a Marta, ou Cristina,
ou Ana, ou o que for nua e sozinha na cama, imaginando se Julian iria ligar.
No
saguão do pequeno prédio de seis andares viu o mundo se desfazendo em água la
fora, não hesitou nem por um segundo, subiu a gola do casaco
Meteu
as mãos nos bolsos, e saiu caminhando pela chuva, com a água indo la pelas canelas,
molhando seus sapatos ; seus cabelos finos e lisos,
Estavam
escorridos, grudados na face pálida, sentia frio, e é claro que estava triste,
vazio, mas não notava nada daquilo, era um dia como outro qualquer, Só que
chovia, nenhum sentimento que tinha contido dentro de si, era diferente de como
sentiu a vida toda, dês menino. Foi caminhando pela rua sem pensar em nada, Nem
trabalho, nem dinheiro, nem sexo, era só a rua, a chuva e ele deslizando
lentamente ate o ponto de taxi. Chegou ao ponto, e pegou o primeiro taxi que
viu, disse para onde iria, no carro tocava aquelas musicas Cubanas tristes,
trilha sonora perfeita para aqueles seriados policias cheios de romance, que
eram ambientados em Miami Beach, ficou escutando a musica e olhando as luzes
coloridas do centro da cidade, alheio ate a si mesmo, nem notou que o taxista havia
pegado o caminho mais longo, que pagaria quase o dobro, não ligava.
Desceu
do Taxi e entrou no prédio, havia parado de chover, no elevador encontrou uma
velha que vivia reclamando, das Garrafas de cerveja que ele deixava no lixo do
corredor, ambos se ignoraram por completo. Fazia uns dias que não ia em casa,
certamente o velho canário vermelho, tinha enfim morrido, pegou as
correspondências no chão ao pé da porta e entrou no apartamento escuro, viu que
lua havia aparecido no céu, grande e prata refletida no piso da sala de
estar;não ascendeu uma única luz do apartamento, saiu se despindo no escuro,
deixando para trás uns rastro de roupas molhadas, entrou nu debaixo do chuveiro
quente, e se lavou meio freneticamente para tirar o cheiro da mulher que não
lembrava o nome.
Se
secou e foi para cozinha, tinha de enterrar o canário vermelho, ascendeu a luz
e viu que contra todos os prognósticos o bicho ainda vivia, velho, quase sem penas,
começou a fazer um barulho extremamente incomodo, como ele queria que o canário
morresse , aquele bicho era uma farpa, era única coisa que lembrava sua mãe,
nem o rosto da mãe ele lembrava, Lembrava apenas que quando ela foi embora,
deixou o canário vermelho, e que quando o canário que ela deixou morreu de
velho, seu pai comprou outro, e deviam ter existido pelo menos uns 10 canários
antes daquele, e todos se chamam Farpa, agora
ele estava meio feliz porque quando Farpa morresse seu pai não iria comprar
outro; colocou comida e água para o canário deixando assim que farpa vivesse
mais um pouco. Vestiu-se com sua roupa preferida, olhou o relógio e constatou
que ainda dava tempo, pegou as chaves do carro e partiu.
A
recepcionista perguntou o seu nome, ele parou um pouco, pensou e disse:
-
Victor, Victor de Castro.
-
Seu parentesco com nosso paciente e um documento que prove!
Disse
a recepcionista, com um sorriso tão feliz que Victor ficou com raiva,se
olhassem para ele e para o pai na
juventude achariam toda semelhança possível, pareceriam irmãos, pareciam irmãos
ate um ano atrás quando seu pai envelheceu prematuramente por causa do
câncer, Não respondeu a pergunta da
mulher, apenas mostrou a carteira de identidade, e foi furando o bloqueio da
recepção, ela disse alguma coisa, e ele respondeu que sabia onde o pai estava;
Sempre ficava com raiva, fazia um ano que ia naquele hospital todos dias varias
vezes, ver o pai e ainda tinham coragem de lhe perguntar , quem ele era ou o
que era do paciente.
Chegou
ao quarto 402, estava escuro, as janelas estavam abertas e o céu estava coberto
de estrelas, a luz da lua cobria como um véu, o corpo esquálido da um criatura
viva que mais amava no mundo, chegou bem perto do leito, lembrando o distante dia
de sua infância que seu pai lhe disse “Vic, a mamãe foi embora, e não volta
mais , ela deixou a gente.” Victor olhou para o canário e perguntou se agora
era dele, e o pai lhe respondeu “Tudo, tudo é seu!Sorria Victor, o show não
pode parar” Por mais que tentasse lembrar do nome do primeiro canário não
conseguia, e todas as vezes que perguntará ao pai ele não respondeu, dizia para
chama-lo como quisesse; Olhando o rosto
envelhecido, seco pela quimioterapia, maltratado, lembrou de como o pai havia
ficado rico, como havia trabalhado, como estava sempre sorrindo e como tinha
mulheres.
Olhou
em volta e viu uma foto, dele e do pai na cabeceira da cama, pareciam dois
meninos, seu pai sempre fora bonito, depois que a sua mãe se foi ele aprendeu a
não precisar dela, e nunca mais viu seu pai com mesma mulher por mais de um
dia, queria ser igual a ele, não sabia se era o melhor, mas leu os mesmos livros,
e comandava agora a empresa da mesma forma que o pai; Sempre começava a chorar
quando pensava que estava tomando tudo do homem que mais amava, tomou o tempo,
o dinheiro, o conhecimento, os livros, as casas, os apartamentos, as mulheres,
a direção da empresa, e ainda havia quem dissesse nos corredores da empresa
quando ele passava que o pai não estava morrendo, mas renascendo através dele.
A
enfermeira entrou no quarto, dizendo “Perdão senhor Victor, mas o horário de
visitas esta acabando” ele ficou surpreso que ela soubesse o seu nome, em vista
que ali ninguém parecia saber de nada, ele fez que sim com a cabeça. E
perguntou como pai havia passado o dia, ela disse :
-Sentiu
um pouco de dor, mas falou do senhor o dia inteiro!
-O
que ele falou?
-
Que senhor, era muito inteligente e que lia muitos livros.
Victor
sorriu e deu um beijo na cabeça do pai, e foi acompanhando a enfermeira ate a
saída do hospital, sentia- se triste, esmagado como jamais se sentira na vida, sabia
que não haveria ano pior que aquele, sabia que havia pouco tempo, mas fez
exatamente o pai havia lhe ensinando, leu seus livros, cuidou do trabalho e
teve suas mulheres.
Fazia
sol la fora, Marta ,ou Cristina ,ou Ana,
ou Isabella estava sentada em seu colo, tentando com maior esforço fazer
com seus seios lhe roçassem o queixo, para que ele não quisesse ir embora, Ele
levantou ela devagar a colocando de lado, catando a cueca e as calças no chão,
ela ficou vendo ele se vestir, pedindo que ele passasse a noite ali, ele ria
com cantos dos lábios era meio que uma piada, ele nunca , nunca dormia com
essas mulheres, nunca dormia com mulher nenhuma, trepava com elas e ia embora,
eram sempre diferentes , de forma que nem ao menos lembrava dos nomes, dava
sempre um telefone errado, um nome falso, as vezes ficava tanto tempo trocando
de nome tinha de parar um pouco e pensar qual era o seu; Passou a camisa por
dentro da calça, vestiu a casaco e foi indo para porta, ela disse alguma coisa,
ele fingiu não escutar, entrou no carro e foi para casa.
Entrou
no apartamento escuro e ascendeu às luzes, fazia um bom tempo que não havia
canário, é claro que ele sentia triste, vazio e solitário, nenhum sentimento
que tinha contido dentro de si, era diferente, se sentia como sentiu a vida
toda, dês menino, era só mais um dia, como outro qualquer, e é claro que não
era verdade, mas estava fazendo exatamente o seu pai o havia ensinado a fazer “Sorria
Victor! O show não pode parar”.
Juliana Cruz
