sábado, 3 de agosto de 2013

Sorria Victor! O show não pode parar.




Chovia la fora, Marta ,ou Cristina ,ou Ana,  ou Isabella, o segurava pelos ombros, com os seios roçando em suas costas e sussurrando em seu ouvido para que ele ficasse mais, Ele balança a cabeça negativamente, e levantava da cama, catando pelo chão a cueca e as calças, Ela deita na cama de bruços e fica vendo ele se vestir, pedindo para que ele passasse a noite ali, que estava frio, que dormiriam juntinhos, ele ria com cantos dos lábios era meio que, uma piada, ele nunca , nunca dormia com essas mulheres, nunca dormia com mulher nenhuma,trepava com elas e ia embora, eram sempre diferentes , de forma que nem ao menos lembrava dos nomes, dava sempre um telefone errado, um nome falso, as vezes ficava tanto tempo trocando de nome que tinha de parar um pouco e pensar qual era do seu; Passou a camisa por dentro da calça, vestiu a casaco e foi indo para porta, ela gritou : 

- Julian você podia me dá um beijo? Posso te ligar amanhã? O que é tão urgente para você sair assim?

Ele deu um sorrisinho meio sínico e disse:

- Você sabe meu bem, trabalho, trabalho e claro minha família, amanhã eu te ligo.

Bateu a porta e desceu correndo as escadas do prédio, deixando a Marta, ou Cristina, ou Ana, ou o que for nua e sozinha na cama, imaginando se Julian iria ligar.

No saguão do pequeno prédio de seis andares viu o mundo se desfazendo em água la fora, não hesitou nem por um segundo, subiu a gola do casaco
Meteu as mãos nos bolsos, e saiu caminhando pela chuva, com a água indo la pelas canelas, molhando seus sapatos ; seus cabelos finos e lisos,
Estavam escorridos, grudados na face pálida, sentia frio, e é claro que estava triste, vazio, mas não notava nada daquilo, era um dia como outro qualquer, Só que chovia, nenhum sentimento que tinha contido dentro de si, era diferente de como sentiu a vida toda, dês menino. Foi caminhando pela rua sem pensar em nada, Nem trabalho, nem dinheiro, nem sexo, era só a rua, a chuva e ele deslizando lentamente ate o ponto de taxi. Chegou ao ponto, e pegou o primeiro taxi que viu, disse para onde iria, no carro tocava aquelas musicas Cubanas tristes, trilha sonora perfeita para aqueles seriados policias cheios de romance, que eram ambientados em Miami Beach, ficou escutando a musica e olhando as luzes coloridas do centro da cidade, alheio ate a si mesmo, nem notou que o taxista havia pegado o caminho mais longo, que pagaria quase o dobro, não ligava.

Desceu do Taxi e entrou no prédio, havia parado de chover, no elevador encontrou uma velha que vivia reclamando, das Garrafas de cerveja que ele deixava no lixo do corredor, ambos se ignoraram por completo. Fazia uns dias que não ia em casa, certamente o velho canário vermelho, tinha enfim morrido, pegou as correspondências no chão ao pé da porta e entrou no apartamento escuro, viu que lua havia aparecido no céu, grande e prata refletida no piso da sala de estar;não ascendeu uma única luz do apartamento, saiu se despindo no escuro, deixando para trás uns rastro de roupas molhadas, entrou nu debaixo do chuveiro quente, e se lavou meio freneticamente para tirar o cheiro da mulher que não lembrava o nome.

Se secou e foi para cozinha, tinha de enterrar o canário vermelho, ascendeu a luz e viu que contra todos os prognósticos o bicho ainda vivia, velho, quase sem penas, começou a fazer um barulho extremamente incomodo, como ele queria que o canário morresse , aquele bicho era uma farpa, era única coisa que lembrava sua mãe, nem o rosto da mãe ele lembrava, Lembrava apenas que quando ela foi embora, deixou o canário vermelho, e que quando o canário que ela deixou morreu de velho, seu pai comprou outro, e deviam ter existido pelo menos uns 10 canários antes daquele, e todos se  chamam Farpa, agora ele estava meio feliz porque quando Farpa morresse seu pai não iria comprar outro; colocou comida e água para o canário deixando assim que farpa vivesse mais um pouco. Vestiu-se com sua roupa preferida, olhou o relógio e constatou que ainda dava tempo, pegou as chaves do carro e partiu.

A recepcionista perguntou o seu nome, ele parou um pouco, pensou e disse:

- Victor, Victor de Castro.

- Seu parentesco com nosso paciente e um documento que prove!

Disse a recepcionista, com um sorriso tão feliz que Victor ficou com raiva,se olhassem para  ele e para o pai na juventude achariam toda semelhança possível, pareceriam irmãos, pareciam irmãos ate um ano atrás quando seu pai envelheceu prematuramente por causa do câncer,  Não respondeu a pergunta da mulher, apenas mostrou a carteira de identidade, e foi furando o bloqueio da recepção, ela disse alguma coisa, e ele respondeu que sabia onde o pai estava; Sempre ficava com raiva, fazia um ano que ia naquele hospital todos dias varias vezes, ver o pai e ainda tinham coragem de lhe perguntar , quem ele era ou o que era do paciente.

Chegou ao quarto 402, estava escuro, as janelas estavam abertas e o céu estava coberto de estrelas, a luz da lua cobria como um véu, o corpo esquálido da um criatura viva que mais amava no mundo, chegou bem perto do leito, lembrando o distante dia de sua infância que seu pai lhe disse “Vic, a mamãe foi embora, e não volta mais , ela deixou a gente.” Victor olhou para o canário e perguntou se agora era dele, e o pai lhe respondeu “Tudo, tudo é seu!Sorria Victor, o show não pode parar” Por mais que tentasse lembrar do nome do primeiro canário não conseguia, e todas as vezes que perguntará ao pai ele não respondeu, dizia para  chama-lo como quisesse; Olhando o rosto envelhecido, seco pela quimioterapia, maltratado, lembrou de como o pai havia ficado rico, como havia trabalhado, como estava sempre sorrindo e como tinha mulheres.

Olhou em volta e viu uma foto, dele e do pai na cabeceira da cama, pareciam dois meninos, seu pai sempre fora bonito, depois que a sua mãe se foi ele aprendeu a não precisar dela, e nunca mais viu seu pai com mesma mulher por mais de um dia, queria ser igual a ele, não sabia se era o melhor, mas leu os mesmos livros, e comandava agora a empresa da mesma forma que o pai; Sempre começava a chorar quando pensava que estava tomando tudo do homem que mais amava, tomou o tempo, o dinheiro, o conhecimento, os livros, as casas, os apartamentos, as mulheres, a direção da empresa, e ainda havia quem dissesse nos corredores da empresa quando ele passava que o pai não estava morrendo, mas renascendo através dele.

A enfermeira entrou no quarto, dizendo “Perdão senhor Victor, mas o horário de visitas esta acabando” ele ficou surpreso que ela soubesse o seu nome, em vista que ali ninguém parecia saber de nada, ele fez que sim com a cabeça. E perguntou como pai havia passado o dia, ela disse :

-Sentiu um pouco de dor, mas falou do senhor o dia inteiro!

-O que ele falou?

- Que senhor, era muito inteligente e que lia muitos livros.

Victor sorriu e deu um beijo na cabeça do pai, e foi acompanhando a enfermeira ate a saída do hospital, sentia- se triste, esmagado como jamais se sentira na vida, sabia que não haveria ano pior que aquele, sabia que havia pouco tempo, mas fez exatamente o pai havia lhe ensinando, leu seus livros, cuidou do trabalho e teve suas mulheres.

Fazia sol la fora, Marta ,ou Cristina ,ou Ana,  ou Isabella estava sentada em seu colo, tentando com maior esforço fazer com seus seios lhe roçassem o queixo, para que ele não quisesse ir embora, Ele levantou ela devagar a colocando de lado, catando a cueca e as calças no chão, ela ficou vendo ele se vestir, pedindo que ele passasse a noite ali, ele ria com cantos dos lábios era meio que uma piada, ele nunca , nunca dormia com essas mulheres, nunca dormia com mulher nenhuma, trepava com elas e ia embora, eram sempre diferentes , de forma que nem ao menos lembrava dos nomes, dava sempre um telefone errado, um nome falso, as vezes ficava tanto tempo trocando de nome tinha de parar um pouco e pensar qual era o seu; Passou a camisa por dentro da calça, vestiu a casaco e foi indo para porta, ela disse alguma coisa, ele fingiu não escutar, entrou no carro e foi para casa.

Entrou no apartamento escuro e ascendeu às luzes, fazia um bom tempo que não havia canário, é claro que ele sentia triste, vazio e solitário, nenhum sentimento que tinha contido dentro de si, era diferente, se sentia como sentiu a vida toda, dês menino, era só mais um dia, como outro qualquer, e é claro que não era verdade, mas estava fazendo exatamente o seu pai o havia ensinado a fazer “Sorria Victor! O show não pode parar”.





 Juliana Cruz