quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O ceifador de Almas

Ele sempre gostou de acreditar que era um ajudante da morte, pois ele entregava as almas dos que matava nas mãos dela, entre um trabalho e outro voltava para o pequeno apartamento que ficava no centro da cidade de lugar nenhum, ele não tinha ninguém alem de um canário vermelho que parecia estar em chamas quando o sol que penetrava pela fresta da janela o iluminava. Ele nunca conheceu pessoalmente nenhum de seus clientes eles simplesmente ligavam diziam um nome, um endereço e depositava em sua conta bancaria certa quantia cuidadosamente definida pelo tipo de morte que ele iria dedicar ao inimigo, perguntava se o cliente queria que lhe dissesse alguma coisa, algum nome, perguntava se a vitima devia sofrer ou morrer logo e se era necessário que ele fizesse o serviço olhando nos olhos das pessoas ou usando uma mira a longa distância, perguntava que tipo de arma deveria usar se queria que a morte parecesse natural ou fosse brutal, perguntava se eles simplesmente não queriam que a pessoa sumisse, só então executava o trabalho de forma simples rápida e sem deixar provas,nenhuma digital, ele sempre fora especialista em crimes perfeitos.
Matar somente isso era o que ele sabia fazer, dês de menino fora preparado para o um único propósito, provinha de uma família de matadores, agora todos mortos ou sumidos pelo mundo, para evitar um passado perigoso, excerto o avô um excêntrico que o criou para seguir segundo este o legado da família, estudou a vida inteira em escolas militares, aos 15 foi para exercito por intermédio do avô que subornava uns e outros para alcançar sua metas, aos 17 matou pela primeira vez e quando fechou os olhos ao anoitecer não encontrou o rosto do homem que entregara a morte,era frio de mais para sentir pena de alguém,era rigoroso de mais consigo mesmo para se apaixonar,ou para permitir que alguém chegasse perto o bastante para isso,depois da primeira morte não voltara a vê o avô,mais seu telefone não parava de tocar,hoje ele tem 25 e para todo mundo é apenas o vizinho estranho e solitário que tem uma conta bancaria com quase 50 milhões de euros,ele já viajou o mundo foi ate mesmo ao vaticano,não por fé fora contratado para matar um bispo e o trabalho fora executado com sucesso,era sempre assim lugares distantes do pequena cidade que vivia,uma cidadezinha na qual permanecia anônimo.
A vida para ele era vazia, passava as tardes livres na biblioteca da cidade lendo livros de romance, eram seus preferidos e dizia a si mesmo não saber o porquê, mais no fundo suspeitava que fosse por não poder viver um de verdade seu trabalho exigia o Maximo de concentração e uma distração como um eventual namoro não cabia em seus planos.
As mulheres de sua vida usavam nomes falsos, ele nunca passava com elas mais que algumas horas,quando elas acordavam ele já não estava mais lá em seu lugar estavam cédulas perfeitamente dobradas sobre a cama,e ele estava a vagar por alguma rua vazia da pequena cidade, com as mãos nos bolsos do paletó e o vento a soprar nos cabelos negros, foi em uma dessas noites que nos esbarramos pela primeira vez naturalmente ele não me viu, quase ninguém vê, mais quando me deparei com aquele homem que por mais imponente que fosse parecia frágil no meio do vento quase coberto pela névoa eu ouso dizer que eu comecei inconscientemente a amá-lo e eu continuei a andar ao lado dele quase tentei tocá-lo,mais desisti tive medo que ele percebesse embora fosse pouco provável,só o observei dia após dia.
E aquela foi à primeira das muitas noites que velei seu sono, observei cada traço do rosto, do corpo e fui mais intima que qualquer mulher que tenha dormido com ele seria, ele tinha cabelos perfeitamente lisos e negros, a pele era branca, seus músculos eram proporcionais a sua estatura os olhos eram castanhos cor de bronze, e o coração infelizmente parecia ter parado em algum lugar num passado distante.
Eu?Você deve estar se fazendo essa pergunta, basta saber que o encontrei um ano depois de minha morte e que por mais que eu desejasse, ele não podia se quer sentir minha presença, mesmo quando eu inutilmente o tocava ou afagava seus cabelos ao velar seu sono nas horas que antecediam o amanhecer.
Mudei-me para o apartamento no outro dia mesmo, com o passar dos dias me acostumei com sua rotina, ia com ele a biblioteca, durante a noite pouco antes de adormecer eu sussurrava meu nome em seu ouvido na esperança que ele um dia sonhasse com ele ou lembrasse, e quando seus clientes ligavam eu costumava encostar o meu ouvido bem perto do dele para poder ouvir, inicialmente me faltou coragem para vê-lo trabalhar, pensei em deixá-lo mesmo sabendo que eu nem se que estava com ele,mais não fui embora algo me dizia que de alguma forma eu deveria estar ali,o que ira importar ele ser um matador? Ele não me via e não me ouvia, não faria a menor diferença eu não passava de um lugar vazio talvez tão vazio quando seu coração, por vezes tentei acompanhá-lo mais quando chegávamos ao aeroporto eu voltava e esperava pacientemente junto ao canário que ele votasse.
Bem eu meio que nem sei quanto tempo havia se passado quando se estar preso entre esse e o outro mundo o tempo é algo desprezível, em minha estadia na casa dele esquecera meu único objetivo, bem mais ele me fez vê novamente e por isso amo tanto aquele homem, fazia uma semana que ele estava em casa, nessa noite voltara de madrugada para casa, certamente estava com alguma dessas mulheres sem nome,quando chegou nos brigamos ou melhor eu briguei estava com ciúmes e se minhas veias ainda pulsassem eu morreria de raiva no mesmo instante,aquela não fora nosso primeira briga mais fora a ultima,a falsa vida me ajudava de alguma forma.
No amanhecer do dia seguinte ele recebeu uma ligação teria que viajar para Londres e matar cinco pessoas, arrumou as malas e dessa vez criei coragem, ou melhor, a coragem surgiu em mim como um sussurro e disse que eu deveria ir e parti com ele, foi um vôo tranqüilo e ao lado dele não sentara ninguém além de mim, desembarcamos e mesmo cliente ligou para dar os endereços disse de inicio quatro nomes e o ultimo disse não saber e deu apenas o endereço,nos hospedamos no hotel barato e durante a noite senti ele olhar para mim embora soubesse que não podia me ver,enquanto ele adormecia eu sussurrei algumas vezes meu nome.
Levou oito manhas para os primeiros quatro homens, um dia ele estudava o melhor horário e no outro dava um tiro com uma mira a longa distância era um trabalho rápido, o quinto homem ele teria que matar a facadas, esse eu não queria acompanhá-lo mais fui assim mesmo,era bem afastado da cidade era uma daquelas casas que tinha um jardim enorme em volta o tipo de lugar onde os vizinhos não podiam ouvir os outros brigando,entramos terreno adentro, o telefone toca e a ordem se modifica mate todos disse a voz, ele desliga e faz aceno positivo, no meio do caminho ouvimos passinho devagar e ao nos viramos dos deparamos com um menininho ele olha e diz:
-Quem é você?Ele aperta a o cabo da faca e o garoto diz:
-E a moça é sua namorada?Ele olha para mim por alguns segundos e entrega a alma do garotinho a morte, a faca foi cravada no coração e na garganta, o corpinho sem vida ficou ali posto no chão, tive vontade de matá-lo mais algo me dizia que a única coisa que restara de mim em vida dependia dele e eu estava certa,eu vomitaria se pudesse gritaria se me ouvissem, prossegui quase arrastada avistamos a casa havia uma mulher e uma menina eu conhecia a menininha era minha Lucy,é
eu tinha uma filhinha de quatro anos quando morri,tive ela aos 17 e fui expulsa de casa, depois de minha morte eu procurei em todos os abrigos infantis, e ali estava ela a uns metros de mim e a segundos da morte, puxei ele pelo braço ele não percebeu, me pus em sua frente ele rasgou meu corpo chegou a varanda matou a mulher e minha Lucy me viu e disse “mãe” intrigado ele olhou para o lado e meio bobo disse:
-Tem alguém do meu lado?
-Sim minha mãe que morreu!Ele ficou impotente olhado para o lado viu ela me tocar, eu a abracei e ele viu uma menininha abraçar o vazio, minha Lucy olhou para ele pegou suas mãos, ele deixou um pouco retraído ela pós as mãos dele na minha face gélida e transparente, acho que sentiu minha textura, ainda com as mãos em minha face avistou um homem sacou um revolver deu um tiro agora era a vez de minha Lucy, cai em desespero ele olhou para ela que deu o sorrisinho mais lindo do mundo,quando ele segurou a faca pelo cabo senti que se pudesse morreria de novo,mais ele simplesmente a guardou, tomou a mão de minha pequena filha e nos afastamos da casa ele pós ela no carro e fomos os três para o hotel,ao chegarmos Lucy havia adormecido,ele a colocou no colo e deitou seu corpinho na única cama do quarto a cobriu com um lençol,nesse momento senti uma luz muito forte tomar conta de mim e soube que eu deixara ali minha filha e meu novo ex namorado,ele segurava uma caneca de chocolate virou para o lado que eu estava e disse:
“Pode ir Ruby eu cuidarei dela para você”
Por: Juliana Cruz