domingo, 5 de maio de 2013

Como um peixe num aquário


Às vezes fico meio confuso em relação às pessoas, Ontem umas 10 pessoas me ligaram ou me enviaram mensagens perguntando se eu ia sair, E eu respondi a todas com “Ate então não” Daí todas responderam “ta”, E eu passei a noite de sábado em casa fingindo ser um grande escritor que tinha ideias demais, e bebia sozinho e fumava cigarros para por elas em ordem. Dormi cedo, bebi pouco, Ela não me ligou, nem ligaria eu não era nada alem do cara para o qual ela ligava quando estava entediada, a impressão que dava é que ela só me ligava quando ninguém mais a atendia. Isso me deixava péssimo, por que todas as coisas que eu  começava a escrever tinham um pouco da gente e a gente nem existia.

Era um daqueles domingos sem vergonhas que você acorda cedo e insone, e pela manhã esta quente demais para fazer qualquer coisa sem que sol de deixe torrado, fiquei em casa, esperando ela me ligar, ligou uma vez para me perguntar se eu tava bem, eu me sentia como os meus peixes, Não gosto muito deles, mas eu alimento eles todo dia, por que eles deixam meu apartamento mais vivo e bonitinho, era assim que ela fazia eu me sentir, e eu simplesmente não consegui mandar ela ao diabo, quando ela vinha para mim com aquele sorriso chato e usando minhas próprias palavras contra mim.

Quando o sol ficou menos intenso eram umas 3 da tarde e me dei conta que não havia feito nada alem de lavar e limpar a droga do apartamento, agora eu estava cansado e sentia sono, e por mais que eu quisesse sair e fazer alguma coisa, Era domingo, e alem de domingo cheirar a solidão e flores mortas, ninguém nunca queria fazer nada, ou já estava fazendo alguma coisa. Deitei e dormi ate umas 17h00min, podia ser um pouco menos um pouco mais, porem eu não gosto de horas que não sejam exatas, principalmente quando eu escrevo. Levantei e liguei para ela, perguntei se ela queria fazer alguma coisa, Ela disse que era domingo, desliguei.

Me espichei na cama de frente para janela, e vi que o céu estava escuro la para o lado da praia, ou seja, noite fria. Noites frias sempre são uma bosta, porque você se sente mais sozinho do que realmente é, Porem não ha nada mais triste do que um domingo frio e sozinho. Um escritor me disse uma vez que domingos cheiram a solidão e flores mortas, e eu nunca esqueci daquilo, De uma forma ou de outra não lembro o nome dele, Porque não lembro de ter perguntado, foi numa visita que eu fiz a alguns anos atrás a um Hospício, Nunca voltei la e se cruzasse com o velho hoje nem saberia quem é; Mas era domingo e ia chover, E   la estava eu espichado na cama pensando nela, Olhando os meus dois peixes betas cada qual em seu aquário.

Ascendi um cigarro e fiquei olhando aqueles dois únicos pontos de vida a minha volta o Branco, que eu decidi que era uma fêmea se chamava Gellhorn e o vermelho era o Hemingway, ambos estavam parados e cansados, deviam estar quase sem oxigênio por que eu não havia trocado a água deles, Pensei em deixa-los morrer, mas daí pensei que não seria legal se ela me deixasse morrer, Eu tinha que trocar a água deles, limpar o a aquário e mesmo que eles me odiassem por deixa-los quase sem ar, eles me amariam por eu trocar a droga da água, por que de certa forma eu era tudo que eles tinham.Depois de trocar a água dos peixes eu me senti menos mal, queria ligar para ela pra conversar bobagens, mas parte de mim dizia que eu não deveria fazer isso, a nuvem cinza sumiu do céu tão rápido quanto apareceu, e agora estava quente novamente e escurecia, seria uma noite seca, Porem era domingo, Domingos me deixavam triste dês que eu era criança, porque me avó me forçava a ir à missa, e tirando a pipoca do lado de fora da igreja não havia de bom nisso.

Passei mais umas duas horas espichado na cama, convencendo a mim mesmo a não me entregar aquele sentimento vago e vazio que me tomava o peito, no fundo tudo era mais ou menos culpa dela, e o fato dela não querer estar comigo o tempo todo, talvez eu fosse meio louco por querer isso, ou talvez eu fosse só um cara extramente sozinho, ou quem sabe domingos me deixassem assim. O telefone tocou, era um amigo me chamando para ir a uma festa, me vesti e fui para tal festa decidido a ter um domingo feliz, Cheguei a festa e conheci umas garotas que ficaram o tempo todo no meu pé;Disse a elas que eu tinha namorada, só que ela não sabia disso, e isso só fez elas ficarem mais ainda no meu pé, porque acharam aquilo bonitinho.

Quase meia-noite, mas ainda era domingo, ainda cheirava a solidão e a flores mortas, e eu queria ir para casa porque não suportava aquelas garotas com seus risinhos bobos, e mãos rápidas tentando me tentar; Dei tchau para todo mundo e sai para mais uma noite seca de domingo, Liguei para ela, caixa postal, Cheguei em casa me sentido doente, seco, cheio ao mesmo tempo, sozinho, e aquilo me incomodava,porem estava tudo no lugar, os copos vazios, as bitucas de cigarro, os peixes e eu , caso ela ligasse.



                                                                                                                                       Juliana Cruz