sábado, 15 de junho de 2013

Borboletas

Esse texto é uma obra fictícia, qualquer semelhança com pessoas ou situações ocorridas, é mera coincidência. 

Uma vez li sobre um homem que se sentia pegando fogo por dentro, toda vez que via certa mulher, ele sentia como se os órgãos dele queimassem internamente, se retorciam, doíam, depois pareciam despencar, certa vez se falaram, em outra, fingiram que eram amigos e se aproximaram, e toda vida que se aproximavam ele sentia seu corpo queimar, às vezes era agoniante, mas o fogo que lhe consumia por dentro ficavam brando quando ele ouvia a voz dela, se aproximaram cada vez mais, enfim se afagaram; Daí eu não lembro o que aconteceu, me alegra pensar que pegaram fogo juntos durante muito tempo, para ser honesta, me alegra pensa que pegaram fogo eternamente, mesmo sabendo que isso é improvável.

Andei pensando no homem por causa das borboletas, certa tarde elas chegaram deixando em desordem primeiro meu estomago, depois o meu mundinho foi desandando, lembrei-me de você, porque a droga das borboletas apareceram pouco depois que nos sentamos lado a lado em um ônibus, E antes de fingir que éramos amigos, começou o tremor nas pernas, dançava freneticamente quando te via de longe, elas eu podia suportar, mas aquelas borboletas, não.

Nunca gostei muito de borboletas só das amarelas e pequenas, as outras eu era capaz de sair correndo se visse, mariposas ai meu deus, odeio mariposas, Mas la estava eu sentada do seu lado em um ônibus crepuscular, como borboletas frenéticas no estomago, pernas tremulas, mãos geladas, e sorriso meio doentio, Era certo que havia algo de errado, quando conversávamos bobagens as borboletas se acalmavam; Porem quando eu descia do ônibus e caminhavam ate em casa, saia sorrindo, com as borboletas deixando meu estomago em desordem.

No quinto dia desci no hospital, assim que o ônibus passou e eu já não te via mais na janela, começou o borboletear frenético, e os sorrisos bobos, entrei na emergência, entreguei o cartão do plano de saúde a recepcionista, e esperei a minha vez, eu devia estar extremamente doente, como devia. Entrei e sentei na cadeira e o medico me examinou dos pés a cabeça e disse “Aparentemente você não tem nada, vou passar uns exames.” Fiz os exames na hora, recebi o resultado no outro dia, e ele disse “Fisicamente você esta bem!”, Meu mal certamente era psicológico.

Passei uns dois dias sem te ver, sem se quer ouvi a sua voz, mas se eu pensava em você, ou se eu via o ônibus chegando mesmo sabendo que você não estava dentro o desconforto começava, Eu devia procurar um psiquiatra. Depois do terceiro dia você estava no ônibus e eu quase caio com o bambear de minhas pernas, quando te vi sentado la atrás onde sempre nos sentávamos; Sentei do teu lado e continuamos nosso dever de fingir que éramos amigos, Enquanto as borboletas acalmavam o voo e dançava no meu estomago bem devagar, quando você estava comigo, falando ou me ouvindo, o desconforto sumia.

Certo dia marcamos de sair, e la estava eu três horas antes do combinado, a beira da loucura, as borboletas triplicaram, troquei de roupa umas cem vezes; e quando você chegou, eu ainda me sentia com a roupa errada, pelo menos o borboletear acalmou, Passeamos, fingimos ser amigos, e por fim nos entregamos, não era amigos, nunca fomos, nem seriamos, e as borboletas dançaram calmas por um bom tempo, sempre que estávamos juntos, e eu ate desconsiderei o psiquiatra.

Depois de algum tempo ate passei achar as borboletas bonitas, todas elas, também já não me achava doente, mas ai eu não entendi, e se não entendi não sei explicar muito bem, as coisas ficaram estranhas, ficaram tristes e contras todos os prognósticos eu disse “Adeus” antes que você fizesse isso, o seu adeus estava implícito nos seus silêncios demorados, e no desdém com o qual você passou a me presentear; Nos afastamos.

Fiquei com as borboletas, certa noite sonhei que eram mariposas, acordei aos prantos, eu tinha borboletas no estomago, tremores nas pernas, e um amontoado de lembranças, fotos, presentes, musicas, textos, livros, o ônibus, o quarto, os peixes no aquário, tudo lembrava alguma coisa sobre nos, ate o que não devia lembrar nada; Também havia uma coisa nova, Saudade, e tinha vezes que saudade era tanta que eu me encolhia na cama como um feto e chorava ate dormir.


Voltei a pensar que estava doente, e voltei a pensar no psiquiatra, foi ai que achei o texto sobre o homem que pegava fogo por dentro quando via certa mulher, no final eles também se afastaram, e depois de um tempo o fogo que o incendiava por dentro foi apagando, ate que um dia acendeu novamente por outra pessoa, e no final do texto ele dizia “Enquanto houver sentimento em mim, vou me sentir incendiar.” Foi ai que me dei conta que não nunca ia me livrar das borboletas, só faria elas voarem frenéticas ou dançarem calmamente por outra pessoa, e isso me parecia justo, E as borboletas podiam ate se transformar em mariposas, se essa saudade virasse poesia.